A qualidade e os métodos utilizados pela educação brasileira têm sido duramente criticados tanto pelos autores como por aqueles que fazem parte do ambiente escolar, pelo fato da mesma ainda fazer uso de um método tradicionalista no qual o educando não é ouvido e o educador é visto como o grande detentor do conhecimento. Esses críticos propõem o abandono dessa forma de ensino em prol de outra que leve em consideração a realidade, o conhecimento e as opiniões dos educandos.
Paulo Freire na sua obra “Pedagogia da Autonomia” declara que “Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem a condição de objeto, um do outro” (2007, p.23), deixando claro que esse modelo ainda utilizado na educação brasileira não é mais viável porque nele o aluno se torna um objeto a ser preenchido com conhecimento pelo professor.
A
chave para a superação desse modelo está exatamente em trazer para
a sala de aula a visão de mundo e as experiências vividas pelo
educando como forma de contribuir para a pratica do educador.
Compreendendo que o primeiro também é dotado de conhecimento assim
como o segundo e que nessa perspectiva o conteúdo deve ser discutido
e construído por ambos os lados, possibilitando assim a clareza de
entender mundos diferentes e até conceitos diferentes para um mesmo
proposito.
No
dia 03 de Setembro de 2015 realizamos uma dinâmica em diferentes
turmas de alunos do segundo ano do Ensino Médio, chamada “A cabeça
pensa onde o pé pisa” (baseada nos textos de Paulo Freire), na
qual acreditamos que ficaram bem visíveis os benefícios e os
desafios dessa metodologia. Trata-se de uma atividade simples, que
foi dividida em três etapas, sendo que na primeira os educandos
escrevem numa folha de oficio uma palavra que representa a sua visão
de mundo ou o
cotidiano, numa segunda eles
formam frases que contenham algumas das palavras escritas por eles
que estarão dispostas no chão da sala formando um caminho e por fim
abre-se uma discussão sobre as diferentes visões de mundo tendo em
vista as frases que foram formuladas pelos discentes.
Através dessa atividade conseguimos compreender que existe um mundo a partir das palavras e frases colocadas pelos estudantes, e pensar que são as visões de mundo postas por eles em sala que criam novos indivíduos nos fazendo compreender o comportamento de alguns, com os colegas, com o professor. Fatores, que sem duvida, devem ser considerados pelo educador no planejamento das atividades futuras, afinal, como prega Oswaldo Rays, a postura pedagógica deve estar presente em todos os momentos da sua pratica.
Evidentemente
que no decorrer da atividade nos deparamos com alguns desafios como,
por exemplo, o desinteresse de alguns educandos diante do tema
proposto ou a receptividade da turma diante de alguma opinião que
não esteja de acordo com as dos demais. Questões que podem ser
facilmente solucionadas e que servem como instrumentos de avaliação
de atividade, contribuindo para uma melhor execução das próximas
atividades.
Essa
adaptação metodológica traz consigo acréscimos importantes para
todos os envolvidos na sua realização, por isso o nosso objetivo ao
abordar essa temática é primeiramente proporcionar uma reflexão
sobre os caminhos seguidos atualmente pela nossa educação para que
a partir disso possamos pensar como os conhecimentos dos educandos
podem contribuir para que esse caminho seja melhor trilhado.
Afinal,
a sala de aula é um espaço de construção do conhecimento que deve
ser realizada por todos os sujeitos presentes neste espaço. Por isso
quanto mais docentes se conscientizarem de que não estão sozinhos
nessa trajetória, maiores serão os benefícios que os mesmos irão
obter durante esse processo.
Referencias
FREIRE,
P. Pedagogia
da Autonomia:
Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra,
1996. (Coleção Leitura)
RAYS,
Oswaldo Alonso. O Trabalho pedagógico: hipóteses de ação
didática. Santa Maria: Pallotti, 2000.